Compras internacionais ficarão mais caras a partir de abril: entenda o impacto do novo ICMS

A partir de 1º de abril, comprar em sites como Shein, AliExpress e Shopee ficará mais caro para os brasileiros. Isso porque o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que já incide sobre essas operações, passará de 17% para 20%, tornando os produtos importados ainda mais onerosos para os consumidores.

A decisão foi tomada em dezembro de 2024 durante a 47ª Reunião Ordinária do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Segundo os responsáveis pela mudança, o objetivo é equilibrar a tributação entre produtos importados e os fabricados no Brasil, reduzindo a diferença de preços e protegendo a indústria e os empregos nacionais.

No entanto, essa nova alta na carga tributária se soma a outras medidas adotadas recentemente, como o fim da isenção de imposto para compras de até US$ 50. Isso significa que os brasileiros que compram de plataformas estrangeiras sentirão um aumento significativo nos preços finais.

Impacto direto no bolso do consumidor

Com a nova alíquota do ICMS somada ao imposto de importação, a carga tributária total sobre compras internacionais pode chegar a 60% do valor do produto. Dessa forma, um item que hoje custa R$ 100 poderá sair por até R$ 160.

Essa mudança afeta principalmente consumidores que adquirem produtos de baixo custo, como roupas, eletrônicos e acessórios. Sites como Shein e AliExpress, conhecidos por oferecer preços competitivos, podem perder parte de sua atratividade para o público brasileiro.

Além disso, os tempos de entrega podem ser impactados. Com a tributação mais rigorosa, os produtos podem ser submetidos a um controle alfandegário mais demorado, resultando em atrasos na liberação das encomendas.

A “Taxa das Blusinhas” e a queda nas compras internacionais

O impacto do aumento da tributação sobre as compras internacionais já pôde ser observado em 2024, quando o governo federal implementou a chamada “Taxa das Blusinhas”, que acabou com a isenção de imposto de importação para compras de até US$ 50.

Logo no primeiro mês após a medida, o volume de compras internacionais caiu 40%. Ao longo do ano, o total de remessas internacionais foi de 187 milhões, uma queda de 11% em comparação a 2023. Já em janeiro de 2025, o número de pacotes internacionais registrados foi de apenas 11 milhões, uma redução de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ainda assim, a arrecadação do governo com essas compras bateu recordes, reforçando o interesse das autoridades em tributar mais esse setor.

Empresas estrangeiras precisam se adaptar

Para varejistas internacionais, a nova alíquota representa um desafio adicional. O CEO da China Gate, Rodrigo Giraldelli, especialista em importação, alerta que o aumento da tributação pode afastar consumidores brasileiros e forçar empresas a repensarem suas estratégias.

A Shein, uma das gigantes do e-commerce, já vem adotando medidas para se adaptar às mudanças. A empresa tem incentivado vendedores brasileiros a entrarem em sua plataforma, além de expandir sua rede logística no país. Com isso, busca reduzir prazos de entrega e minimizar custos para os consumidores.

Outras plataformas também podem seguir esse caminho, investindo na nacionalização parcial de suas operações para escapar de tributações mais pesadas sobre importação.

A medida realmente protege a economia nacional?

O governo argumenta que o aumento do ICMS visa fortalecer a economia brasileira, proteger empregos e equilibrar a concorrência entre produtos nacionais e importados. A indústria nacional, especialmente no setor têxtil, tem pressionado por mais taxação sobre os concorrentes estrangeiros, alegando que as plataformas internacionais vendem produtos com preços muito baixos, prejudicando a produção local.

Por outro lado, especialistas questionam se essa estratégia é realmente benéfica para os consumidores. Com o poder de compra reduzido, muitos brasileiros recorrem a sites estrangeiros para encontrar produtos mais baratos. O aumento da carga tributária pode limitar o acesso a esses itens e, em alguns casos, incentivar o comércio informal e a importação ilegal.

O que esperar para os próximos meses?

Com a nova alíquota do ICMS entrando em vigor em abril, a tendência é que as compras internacionais desacelerem ainda mais. Para os consumidores, isso significa preços mais altos e, possivelmente, um impacto no acesso a produtos importados.

Ainda não se sabe se o governo adotará novas medidas para tornar o comércio eletrônico internacional ainda menos atrativo. No entanto, o movimento de aumento da tributação e reforço na fiscalização sugere que os preços devem continuar subindo.